O SCPC
O Serviço Central de Proteção ao Crédito – SCPC, criado em 14 de outubro de 1955 pela Associação Comercial de São Paulo, deu uma contribuição decisiva para a democratização e a moralização do sistema de no Brasil. Hoje mesmo o brasileiro de salário modesto está em condições de adquirir, pagando a prazo, bens de consumo que antes eram exclusividade dos abastados. Existe ao mesmo tempo um padrão de conduta respeitado por todos os personagens das operações a crédito, sejam lojistas, financeiras ou consumidores.
Concebido para garantir proteção às empresas que dão crédito ao consumidor, o SCPC é hoje integrado à Rede Nacional de Informações Comerciais – RENIC, consolidada em 2005 e reunindo mais de 150 milhões de informações sobre negócios efetuados a crédito.
O mercado, na prática, é quem de fato oferece garantias reais ao cidadão, à sociedade – e a história do SCPC é uma comprovação convincente dessa verdade econômica. Acima das normas legais que a tecnocracia governamental tentou engendrar para regulamentar o crédito, no final acabou prevalecendo a Lei da Oferta e da Procura.
Sem participação de nenhuma instância de governo, a Associação Comercial de São Paulo acolheu um grupo de lojistas locais, meio século atrás, e deu forma e vida à idéia que apresentaram, de criação de um Serviço Central de Proteção ao Crédito. Foi uma ação independente da iniciativa privada.
O objetivo do SCPC é valorizar e auxiliar os bons clientes, cumpridores de seus compromissos. A esses bons pagadores que se atrapalhassem financeiramente, oferecia condições bastante facilitadas para que pudessem efetuar os pagamentos efetuados. Somente após três prestações vencidas e sem apresentar justificativas à loja o prestamista teria o nome incluído no cadastro de inadimplentes, mas antes o devedor seria comunicado.
Em vez de prejudicar os clientes que compravam a prazo, o serviço dava rapidez à liberação de crédito e permitia que os lojistas vendessem a prazo com juros menores, uma vez que a inadimplência caiu 50 %. Com a queda substancial das inadimplência e o aumento das vendas, as despesas fixas caíram, para os lojistas, o que significou o aumento dos lucros.Com isso os comerciantes passaram a vender mais barato para a alegria dos consumidores mais pobres.
O SCPC nasceu em outubro de 1955 com 36 firmas inscritas e 15.000 fichas de inadimplentes. Pouco mais de 2 anos depois, em 31 de dezembro, já havia 120 empresas inscritas e 37.000 fichas. Em seus primeiros 75 dias de funcionamento, o serviço atendeu exatas 30.002 consultas. Um ano mais tarde, os números subiam para 195 firmas inscritas, 55.000 fichas e 285.773 consultas atendidas.
Entre os números desse final de 1956 podemos incluir 4.100 reabilitações, ou seja, 4.100 clientes com pagamentos em dia. Em 1957 o SCPC estava com 229 firmas inscritas 86.000 fichas atendendo 491.370 consultas e registrava 5.800 reabilitações. No fial do primeiro semestre de 1958, eram 251 firmas, 11.800 fichas, 298.937 consultas atendidas e 5.250 reabilitações.
Scalvi, Fernanda Cristina – Uma História de Crédito, 50 Anos do SCPC - 2006 |