Calor acelerou vendas do comércio
02/03/2010 - As vendas no varejo cresceram em fevereiro deste ano em relação ao ano passado, de acordo com dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), compilados pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
As consultas para as vendas a prazo cresceram 8% em fevereiro deste ano ante igual mês do ano passado. E para a modalidade à vista, o avanço apurado foi de 6,1%, na mesma comparação. "As nossas previsões estão confirmadas pelos indicadores. Estamos diante de uma curva ascendente que pode ir muito além das nossas projeções. E 2010 poderá propiciar o grande voo para o Brasil se tornar seguramente um País desenvolvido", disse o presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti.
Fevereiro é historicamente fraco para o varejo em virtude das férias e do Carnaval. No entanto, de acordo com o economista do IEGV, Emílio Alfieri, esse início de ano foi impulsionado pelo "comércio de verão", principalmente com o calor acelerando as vendas de ventiladores e de aparelhos de ar-condicionado. "Também contribuíram para o crescimento das vendas o fim dos descontos do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca e veículos, além da carga extra de anúncios de promoções das empresas de varejo no início deste ano."
O aumento das consultas para as vendas com a utilização de crédito no mês passado (SCPC), apesar de considerado bom enquanto movimento de varejo, está sustentado por uma base fraca. Fevereiro de 2009 marcou menos 12,8% ante igual mês de 2008, no SCPC. Já nas vendas à vista, o SCPC Cheque de fevereiro do ano passado registrou queda de 5,5% ante igual mês do ano anterior.
"Na comparação com 2008, ano de vendas excepcionais, o avanço verificado no mês passado está 5% menor ao de fevereiro daquele ano. Já o cheque, que registrou queda de 5,5% em fevereiro do ano passado e alta de 6,1% neste ano, está 0,3% maior na comparação igual mês de 2008", disse Alfieri. Ainda de acordo com o economista, o cheque sempre tem uma recuperação mais rápida do que o crédito, que depende das instituições financeiras para ser restabelecido plenamente após um período de crise.
A inadimplência continua sob controle, de acordo com os levantamentos IEGV. Os registros cancelados cresceram 8,7% no mês passado ante igual período de 2009. Os registros recebidos de carnês, com mais de três meses em atraso, aumentaram somente 0,6% na comparação. De acordo com Alfieri, os baixos registros recebidos são reflexo da retração das compras pelo consumidor ainda no segundo semestre de 2009. "Mesmo as compras de Natal ainda não cumpriram o prazo de três meses dos carnês em atraso para entrar no sistema", disse o economista da ACSP.
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